12 anos de banda de rock: o que eu aprendi antes de escrever a primeira linha de código
12 anos de banda de rock: o que eu aprendi antes de escrever a primeira linha de código
✅ Publicado. Baseado no que você me contou: Terceiro Estado, CD gravado, os cinco nomes, as fotos. ⚠️ As legendas das fotos ainda precisam da sua conferência — estão marcadas abaixo.
Antes do código, teve palco
Antes de eu saber o que era um repositório, eu já tinha uma responsabilidade parecida: um show marcado, e quatro pessoas contando comigo para estar pronto.
Tive uma banda de rock, o Terceiro Estado, dos 14 aos 26 anos. Gravamos CD. Tocamos com gente que eu ouvia no rádio antes de saber tocar — Rappa, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Capital Inicial, Kid Abelha.
📷 [FOTO 1 — divulgação oficial, o 1º CD] — Terceiro Estado, divulgação do 1º CD 📷 [FAIXA DE FOTOS — arquivo pessoal] — Casa cheia, Cascavel — Herbert Vianna (Paralamas do Sucesso) — Frejat (Barão Vermelho), Cascavel — Marcelo Falcão (Rappa)
Foram doze anos. E quando eu comecei a programar, percebi que já tinha aprendido três coisas — só que com outro vocabulário.
1. “Ensaio é trabalho”
Na banda, ninguém acha que ensaio é tempo perdido. Ensaio é o trabalho. O show é a consequência.
Isso virou uma coisa concreta na forma como eu trabalho hoje: eu documento antes de codar, e penso antes de decidir. Não porque eu li em algum lugar — porque eu aprendi na prática que o que não foi ensaiado aparece no palco.
Quem já viu uma banda improvisar mal num show sabe do que eu estou falando.
No código, isso é: escrever o plano antes da pressa. Regravar o que quebrou.
2. “O erro acontece na frente de todo mundo”
Essa é a mais forte.
No palco, não tem rascunho. Você erra o acorde e quinhentas pessoas ouvem. Não tem “desculpa, deixa eu refazer” — tem você, o erro e o público.
E o que se aprende ali é uma coisa que muita gente leva anos para aceitar:
O erro não é o fim. É parte do trabalho.
A resposta certa não é pedir desculpa. É tocar a próxima música.
Eu carrego isso direto para o código. Quando algo quebra, eu não some — eu documento o que quebrou e sigo.
Não é coincidência que os meus cases no portfólio tenham uma seção chamada “os problemas que eu resolvi”, com Smart App Control, aspas no cmd.exe, chmod 700 e volume Docker. Esses erros são o conteúdo mais valioso que eu tenho para mostrar.
Quem esconde o erro entrega só metade do trabalho.
3. “Toca a próxima música”
Essa é a que fecha as outras duas.
Existe um momento específico no palco: você errou, a banda toda sabe, o público viu — e você tem duas escolhas. Parar e se explicar, ou entrar no tempo e continuar.
Quem para, perde a música. Quem continua, salva o show.
No trabalho é igual. Quando algo dá errado, tem duas reações possíveis: procurar culpado ou achar a saída. A primeira é confortável e não resolve. A segunda é chata e resolve.
Aprendi a segunda antes de saber programar.
O que a música me deu, em uma linha
Antes de escrever código, eu já tinha prazo, equipe, responsabilidade e erro em público.
Só mudou o palco.
E por que isso importa para quem quer me contratar
Vou ser direto, porque a pergunta é justa: “o que 12 anos de banda têm a ver com desenvolvimento?”
A resposta honesta: nada do ponto de vista técnico. Tudo do ponto de vista de trabalho.
Um sistema em produção tem prazo, tem equipe, tem erro que aparece na frente do cliente. Quem já passou por isso num palco lotado — com uma responsabilidade que não dava para devolver depois — chega no ambiente de trabalho sabendo umas coisas que não se aprendem em tutorial:
- que ensaiar é trabalhar
- que errar na frente dos outros não é o fim
- que a única resposta útil é começar a próxima música
Não estou dizendo que isso substitui competência técnica. Não substitui — eu estou estudando justamente para construí-la.
Estou dizendo que é a base que eu já trago. E base boa faz diferença em quem começa.
Hoje o palco é outro: a sala de aula. Voltei a estudar depois dos 30, e estou gostando mais do que eu imaginava. Escrevi sobre isso também.
Gostou? Escreve pra mim — respondo no mesmo dia.
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